segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Aniversário! E que aniversário!!

Um motorista de ônibus somaliano chamado Mukhtar na Dinamarca faz
aniversário e vai trabalhar como em qualquer outro dia.
Ele esta nessa empresa de ônibus há muito tempo e faz a mesma linha desde
então.
É querido por todos pela sua atenção e especialmente pelo sorriso que sempre
carrega em seus lábios.
Vejam o que lhe prepararam a companhia e os passageiros ...
Esses movimentos nos trazem um  fio de esperança de que o mundo possa
mudar...

http://www.youtube.com/watch_popup?v=xgOyTNtsWyY

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Se as empresas fossem sinceras nos Slogans













Histórias do Rei Roberto Carlos

* Bueno
buenocantor@terra.com.br
www.buenocantor.blogspot.com

Nunca ouvi alguém falar algo que desabonasse a trajetória de Roberto Carlos, a não ser o fato dele não ter se engajado na turma de esquerda no tempo da ditadura – ele nem gosta de tocar no assunto. Quando é abordado, simplesmente responde que Deus lhe deu esse dom, o de cantar, levar mensagens em forma de música por todo nosso país.
Foi o que ele fez, passou pelo período de repressão compondo, escrevendo letras lindas, cantando e não se metendo em encrencas e, por isso, recebeu muitas críticas da classe artística. Roberto seguiu sua vida como se estivesse seguindo um roteiro dirigido por Deus.
Caetano Veloso era um dos que o criticavam e, ironicamente, foi o cara que recebeu uma das maiores homenagens que alguém pode receber. E ela veio de Roberto Carlos, na bela canção Debaixo dos caracóis dos seus cabelos.
Escrever versos é meio que difícil, muitos tÊm certa facilidade... agora, escrever versos e compor uma música em cima é uma coisa que considero meio que angelical, um sopro dos céus... Compor uma música é um momento sublime, às vezes ela chega sem que a gente possa perceber e de repente nos invade, já sai pronta. Aconteceu varias vezes comigo e uma delas foi quando compus Natal de verdade, a pedido de Wilson Toni e José Fernando Chiavenato, compondo-a em menos de cinco minutos.
Letra e música nasceram juntas e o meu filho Lucas Bueno fez um arranjo lindo, coisa de gente grande, eu nem acreditava no que estava acontecendo. Quando vi, a canção já estava pronta, mas só tive a certeza de que ela era bonita quando meu neto, na época com dois aninhos, a ouviu sob meu olhar.
Ele estava de cabeça baixa e quando se virou, lágrimas escorriam pelo rostinho. Naquele momento senti que tinha recebido um presente vindo dos céus. Portanto, tenha certeza, se um dia você receber uma música de presente, saiba que fez parte de um momento raro da vida de um compositor, saiba que estará recebendo algo que não tem preço, algo que não se compra e que participou de um momento de extrema graça de um compositor que teve a felicidade de ser escolhido.
Veja você, na época da repressão, Caetano foi curtir férias forçadas em Londres, uma cidade cinzenta, fria pra caramba, gente estranha por todo lado...Isso para um baiano acostumado a viver num país tropical, criado sob o sol da Bahia e vivendo no Rio de Janeiro. O estilo europeu era quase a morte. E lá, hibernado na maior solidão, recebeu a visita de Roberto Carlos, que passou a mão num violão e lhe disse: “Caetano, fiz essa música pra você”. E soltou o gogó: ”Um dia a areia branca, seus pés irão tocar, e vai molhar seus cabelos, a água azul do mar, janelas e portas vão se abrir, pra ver você chegar, e ao se sentir em casa, sorrindo vai chorar... debaixo dos caracóis dos seus cabelos, há uma história pra contar, de um mundo tão distante... debaixo dos caracóis...”
Antes que o Rei acabasse de cantar a música, Caetano já estava em prantos e, num forte e demorado abraço. os dois choraram muito. A partir daquele momento foi passada uma borracha em todo o passado.
Alguns anos depois, com a democracia restabelecida no Brasil, Caetano e Roberto se cruzaram em um corredor da TV Globo e o baiano, olhando a cabeleira do Rei, disse: “Pô, Roberto, o tempo passa e você não envelhece, hein, amigo?”. E no papo Roberto lhe pediu uma música para gravar. Caetano não demorou nem uma semana e mandou para o Rei a maravilhosa Força estranha, que no ultimo verso contém uma frase inspirada no encontro com Roberto...”Eu vi muitos cabelos brancos, na fronte do artista, o tempo não para e, no entanto, ele nunca envelhece...”
Eu adoro cantar essa música e o Roberto a cantou em todos os shows dele que fui até hoje. Contou-me meu amigo Wanderley, pianista do Rei, que no camarim ele a canta várias vezes antes de subir ao palco, servindo de parâmetro para que teste a afinação de sua voz, já que ela começa em tom grave, mas quando entra na segunda parte, tem que soltar o gogó, amigo, tem que se buscar “lá no quinto andar”, mas é sempre muito gratificante poder cantá-la.
De Roberto tenho muitas histórias, mas deixe para a próxima.

* Cantor e compositor

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Uma balada com Zeca Baleiro!!!

E vamos lá contar mais uma história. Mais uma vez tenho que falar do meu amigo Sócrates... é porque ele sempre está junto nas baladas mais gostosas de minha vida!
Foi numa dessas ocasiões que o celular dele tocou. Era  o cantor Fagner, com quem dispensamos grande amizade. Ele falava de Fortaleza. Estava em companhia do também cantor e compositor Zeca Baleiro, que tem esse apelido porque vivia com os bolsos cheios de bala. Isso quando era jovem na sua cidade natal, São Luiz do Maranhão.
Zeca era filho de um dono de armazém naquela cidade. Por isso vivia com o bolso cheio das guloseimas. Paralelamente, cantava e tocava em bandas de São Luiz. Começou a carreira assim. Um dia sua cidade ficou pequena para tanto talento. Escolheu São Paulo para se aventurar em novas oportunidades. Cantou em várias casas noturnas, passou apertado, contava centavos para sobreviver... nos disse em uma ocasião que chegou a passar fome!
Até que finalmente teve uma de suas canções gravada por Gal Costa, depois Simone... e assim foi dando sorte  na vida de artista.
 Goza hoje de um grande prestígio, público super refinado... seus shows hoje são lotados... pudera!
 Bom , voltando ao assunto,  Zeca Baleiro e Fagner estavam gravando juntos um cd no estúdio em Fortaleza. No meio da gravação, entre uma pausa, uma conversa e outra, eles começaram a falar do Sócrates. Foi por isso que ele decidiu ligar. Zeca estava contando ao Fagner que, quando esteve aqui em Ribeirão, durante um show no Theatro Pedro II, ao perceber a presença do ilustre jogador na platéia, comentou com seus músicos. – “Opa , O chopp tá garantido”, numa apologia ao Magrão, conhecido internacionalmente como bom bebedor de cevada!
No fim do espetáculo fomos até o camarim . Em seguida , é claro, o levamos para uma noitada!!!
Vila das Flores, para “molhar a palavra” literalmente.
 Zeca fazia questão de mostrar a satisfação de estar acompanhado do seu ídolo, que até então não  havia tido a oportunidade de acompanhá-lo entre umas e outras. O Raí fazia parte da turma naquela mesa!
Já dava para imaginar que a noite ia ser longa!!
Entre uma história e outra, algumas impublicáveis,  o Zeca lembrou que tinha um vôo para São Paulo marcado para logo as 8 horas da manhã!
 Mas queria aproveitar o máximo a companhia tão agradável dos amigos de Ribeirão.
 Mas não adiantou... papo vai... papo vem... e o resultado foi que ele perdeu o vôo!
Para solucionar o problema, alugou um helicóptero, pois tinha à noite um show em Salvador e não dava mais tempo de pegar o avião na capital que o levaria à Bahia, marcado para o meio – dia.
 Resolveu o problema , mas comentou com o Fagner que gastou na  empreitada, todo seu cachê e concluiu a conversa! “ Noitada com a galera de Ribeirão, NUNCA MAIS!
O telefonema foi justamente para relembrar a história memorável que , embora tragicômica, deixou muita saudade!

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Seleção de 82!!! Que saudade!!!!!



Alguns dias antes de começar a Copa 2006 na Alemanha, estava batendo papo com o Sócrates e mais alguns amigos, e entre um shopp e outro, entrou na conversa a seleção da Copa de1982.
Aquela que sob o comando de Telê Santana, encantou o mundo. Aquela escalação, ninguém esquece!! Ela sim , tinha um quadrado mágico... Cerezo, Zico, Falcão e Sócrates. Ela não ganhou a taça, mas trouxe para o nosso país o título da magia do “futebol arte”.
 Quando questionado sobre a formação daquela seleção,  Sócrates disse que essa de 2006 é a única que poderia se aproximar dela.
Por causa do excesso de craques, principalmente o Ronaldinho Gaúcho. E olha que mau começa a Copa vem a decepção geral.
 Está ganhando, mas não está convencendo!!! O craques não brilham. Muitos apostaram que esta seria a Copa de Kaká!! Outros de Gaúcho, que ainda não rendeu aquilo que o mundo inteiro estava esperando.
 Mas não faz mau!! Nós aqui mantemos a calma, na espera de uma seleção que , pelo menos chegue perto àquela de 1982.
 Às vezes pela minha convivência com o Sócrates, me perguntam o que ele fala da seleção de 82. Principalmente naquele jogo com a Itália. Ele pouco fala!!!! Mas pude ouvir alguma coisa. Como, o Brasil jogava pelo empate. E como é difícil jogar por esse resultado, e olha que durante o jogo o carrasco Rossi, só pegou na bola três vezes. O resultado foram três gols que nos tirou da competição.
O Magrão disse também que o time todo tinha certeza que não perderia esse jogo!!!!
 Revelou que o intervalo dessa partida, o Toninho Cerezo chorava, se sentindo culpado por a equipe Ter tomado um dos gols feitos por Rossi. Chorava feito criança.  Sócrates fez o papel de amigo, psicólogo, tentando levantar o seu moral.
Domingo passado a Globonews exibiu os melhores momentos dos jogos da seleção brasileira de 82. Matei a saudade de jogadas geniais... passes milimétricos, daquela arquibancada do estádio Sarriá na Espanha, toda amarela com a camisa de brasileiros, torcedores em peso!!!!
Gols de Éder, Zico, Serginho, Falcão, Sócrates , Júnior, entre outros craques. Entrevistas com cronistas esportivos da época, todos enaltecendo a nossa seleção. Era outro tempo, não havia crítica como hoje!!!!
Depois passou o último jogo... Itália e Alemanha... deu sono!!!!
No retorno ao Brasil, a seleção foi aplaudida por onde passou... aeroportos, palácios, nas ruas...
Mas foi em São Paulo que o então prefeito Paulo Maluf quis aproveitar o momento para fazer política. Sócrates, politizado como é, não aceitou o encontro, não compareceu!!! Desviou o caminho já no aeroporto!!!
 O mesmo aconteceu e Brasília. Desta vez  a recepção era por conta do então presidente da república João Batista de Oliveira Figueiredo. Era plena ditadura Militar. Sócrates também se recusou!!!!!
Mas acabou entrando no Palácio da Alvorada por pressão da CBF e do grupo.
 Mas a notícia vazou! Chegou aos ouvidos do presidente!
 Na hora em que foi cumprimentar o doutor Sócrates, o presidente falou baixinho ao pé de seu ouvido. ” VOCÊ É..........””” o resto  fica a critério da imaginação de vocês, caros leitores deste singelo articulista!!!! Este jornal é de respeito, e não posso repetir o que o Figueiredo  falou!!
Ah!!!!! Que saudade da seleção de 1982!!!

Bueno – cantor , compositor e apresentador do programa Canta Ribeirão pela Tv Thathi

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Localizador de Celular

:LOCALIZE QUALQUER PESSOA PELO NÚMERO DO CELULAR - Via Satélite (INACREDITAVEL)


DIGITE O DDD E O NÚMERO DO CELULAR DA PESSOA
NO CAMPO INDICADO NO LINK ABAIXO
E COM O AUXÍLIO DO SATÉLITE, SAIBA EXATAMENTE
ONDE A PESSOA ESTÁ, EM TEMPO REAL.

É SIMPLESMENTE FANTÁSTICO!!!

http://www.track-your-partner.com

Isso é o futuro!!!


sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Sócrates... feliz aniversário


* Bueno
buenocantor@terra.com.br
www.buenocantor.blogspot.com

Cruzo com muitas pessoas no meu dia-a-dia e a pergunta que todos me fazem é inevitável: “Buenão, e o seu amigo Sócrates?” Sinto que todos esperam de mim uma resposta que possa matar uma certa curiosidade, ou ainda uma opinião minha sobre sua precoce viagem para o andar de cima, ou talvez de como me sinto pelo acontecido dada à nossa amizade tão intensa por dezoito anos.
Nesta semana, uma pessoa perguntou-me: “Buenão, Magrão era feliz?” Pô, meu. Tirei o chapéu, cocei a cuca e danei a pensar no que ele respondia sempre que lhe questionavam se não ia sossegar, pendurar de vez as chuteiras nessas coisas do coração, e ele sempre repetia: “Buenão, vivo numa busca constante da felicidade...” Daí chego à conclusão de que ele era feliz sim, do seu jeito, com certeza ele era!
Um outro grande amigo nosso, o Alfredo, que Magrão carinhosamente chamava de Fre, esteve com ele em uma terça-feira, na TV Cultura, nos bastidores do programa Cartão Verde, comandado pelo querido amigo Vladir Lemos, e no sábado pra domingo da mesma semana Sócrates nos deixou. Disse-me Fre: “Buenão, Magrão morreu triste, muito triste, acho que ultimamente sentia muita saudade dos amigos daqui, parecia estar muito só”. E eu danei a pensar que poderia ser verdade...
Quando Magrão esteve em minha casa para um lanche e comer gengibre fresco curtido, que aprendi fazer com o Geraldo da sorveteria, ele disse que amava os amigos do Cartão Verde, e quando acabava o programa sempre iam jantar juntos. Vivia momentos únicos em companhia de amigos de um humor tão contagiante que nos dias de hoje quase não se vê. Disse a ele: “Magrão, te conhecendo como conheço, fico feliz por você ter encontrado em Sampa uma galera para te acompanhar, meu velho”.
Certa vez, o vi dando uma entrevista, e o repórter lhe perguntou: “Sócrates, você gosta do quê?” E ele disse: “Eu gosto de gente, eu não sei viver sem o ser humano por perto, basta acordar que logo passo a mão no celular e vou ligando para os próximos, quero estar sempre perto de gente, de amigos, solidão aqui tem passe livre”.
Fagner esteve no Cartão Verde e fez um comentário que achei genial, Sócrates era bem o que ele definiu. Segundo Fagner, Magrão era um cara apaixonante – e era verdade. Disse ainda que quem teve o privilégio de sua companhia sabe bem o que estou dizendo, ele viveu como quis, do jeito que quis, amou as mulheres que quis e arrematou...Ele quis isso.
Fagner, quando conversava com Sócrates,. o chamava de Magrão, e Magrão o chamava de Magrelo. Eu achava o maior barato a relação dos dois, muito carinho, coisa que só grandes amizades podem explicar.
Poxa, Magrão, que saudade gigante, cara! Saudade das nossas noites no Empório Brasília, de você letrando minhas músicas, podia ter o barulho que fosse do lado, nada tirava sua concentração do papel, da caneta sobre a mesa e do tema que você desenvolvia.
Jamais vou esquecer o dia em que você fez a letra do meu samba Lei Seca. Após eu ter ficado seis meses sem tomar uma cerveja, estava vencendo a estiagem, me lembro de cada palavra que você escrevia e dava risadas memoráveis, principalmente quando escreveu: “Seu garçom, já preparei meu figueiredo para um porre, chá de boldo mais de um litro, e um bocado de Engov”. Impagável aquela noite com todos ao redor esperando o samba ficar pronto, e quando você terminou a letra a galera cantou junto varias vezes, foi uma alegria contagiante!!
Pois é, parceiro, você faz aniversário no domingo, 19 de fevereiro. Mas, Doutor, você tinha que fazer niver num domingo de carnaval, meu amigo??? Só podia ser você mesmo, cara!!
Bem, parceiro, vamos nos reunir no Empório Brasília no dia 18, sábado o dia todo, numa homenagem supercarinhosa a você! Domingo não... Mas, na segunda feira, depois das quatro da tarde, vamos estar naquela mesa reservada e que tem, merecidamente, o seu nome!
Pintei você numa tela com a camisa da seleção brasileira. Ela vai ocupar sua cadeira e, cercados de amigos, vamos contar muitos causos vividos em sua companhia tão especial para quem pôde te conhecer um dia.
Caso viermos a nos emocionar, não ligue, parceiro, porque será de saudade, muita saudade, uma saudade imensurável de você.
Sócrates... Feliz aniversário, querido amigo!!!

* Cantor e compositor

Fagner

Ele é apaixonado por futebol de uma maneira, que nos anos 80, montou e bancou um time de futebol. Com o nome de Beleza!!!
Foto do time Beleza, do Fagner, que fez o maior sucesso nos anos 80.
Da esquerda pra direita. Em pé: Zé Carlos, Wilkson, Celso Gavião, Roberto Papelin, Lucinho, Júlio e massagista. Agachados: Alírio, Pedro Bila, Amilton Melo, Fagner, Marciano, Sérgio Papelin e Wiron.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Sargento Roderval

Sargento Roderval


Taubaté, bela cidade do Vale do Paraíba. Lá existe um quartel especializado na formação de policiais militares. Lembro-me como se fosse hoje quando passei por lá. E olha que já faz 34 anos.
Saímos daqui ás 10 horas da noite de trem. Éramos 200 jovens atrás  eu sonho. Ser policial. Chegamos em São Paulo às 6 horas da manhã. Vários ônibus terminaram o percurso até Taubaté, nosso destino onde passaríamos os próximos 6 meses.
Lá nos juntamos em mais de 300 recrutas de todas as partes do Brasil. Era hora do almoço, lá a hora do rancho e tudo na polícia funciona como um relógio. Hierarquia , respeito obediência e disciplina admirável
Fomos colocados em forma em frente nossas malas. Sobre a minha, estava meu inseparável violão.
Foi quando um sargento viu e logo perguntou num tom intimista. ” De quem é esse violão”. E eu, no meio da tropa, num misto de medo e timidez respondi que era meu. Logo ele retrucou! “ Você está pensando que está numa colônia de férias, seu recruta, você vai ralar aqui”. O ambiente foi tomado por uma silêncio de velório. Mas era o violão e as cantorias noturnas que ajudavam a matar a saudade , amenizar a distância da famílias e namoradas.
Começaram as instruções e eu observava a disputa entre os sargentos para mostrar qual era o melhor pelotão.
E era nas palestras que davam pára as tropas sempre falavam num tal de sargento Roderval, tido como o bam bam bam do quartel, mas que na época estava fazendo um curso na capital. Nos passavam a imagem que  ele era um ditador. Qualquer coisa que os recrutas aprontassem, lá vinha a ameaça! “Vocês vão ver quando o sargento Roderval chegar!”
Dois meses se passaram  e nós já estávamos com o preparo físico de dar inveja a atleta olímpico! Dizíamos que estávamos “ na ponta do casco. Foi quando começou a circular a notícia de que o sargento Roderval estava retornando.
Numa bela manhã, batalhão em forma fomos apresentados a fera!
A aparência dele nada lembrava o terror cantado em verso e prosa. Se tratava de um senhor  franzino de estatura baixa beirando os 50 anos, calvo e o pouco dos cabelos que lhe restavam, estavam brancos. Imaginem aquele bando de recrutas, já ambientados ao quartel, cheios de manha... entre nós o comentário era que o velhinho não nos aguentaria  não!
De repente o sargento Roderval assume o comando e decide mostrar porque é tão temido!
Começou com um ralo, uma bronca de mais de quarenta minutos que nos deixou no bagaço. Quando acabou disse com sua voz imponente e postada: “ Amanhã, às 7 horas, todos em forma com o uniforme de educação física.”
No dia seguinte estranhamos a presença de um caminhão no pátio, e com o sargento no comando, lá fomos nós correndo por ruas e estradas que cercam Taubaté.
Tínhamos a certeza  de que ele não aguentaria por muito tempo. Grande engano, o sargento corria na ponta dos pés com uma elegância invejável. Sobe rampa, desce morro e lá ia ele, impecável!
Cerca de quarenta minutos se passaram e então fomos descobrir o porquê do caminhão!
Servia para ir recolhendo os recrutas que iam pifando no meio do caminho!
Depois de mais ou menos duas horas, retornamos ao quartel. Entre mortos e vivos sobraram poucos! O sargento Roderval interasso! Desnecessário dizer que quem não completou o percurso recebeu castigo! Até que merecido.
O tempo passou e passamos a admirar o Sargento Roderval, que se tornou o paizão de todos. Ele era assim. Com a mesma mão que castigava, também nos afagava.
Ao se aproximar o final do curso, toda aquela rigidez ficou flexível. Passamos a ser tratados como profissionais que passaram por uma grande aprovação, aguardando seu destino.
No meu caso fui atrás do meu sonho. Queria ser policial rodoviário, onde fiquei até me aposentar em 1996.
Devo à Polícia Militar minha formação, meu rumo norte. Tive dois filhos, o Paulo e Lucas que se espelharam em mim. Os fiz cumpridores de horários e honestos. Minha esposa Sônia que segurou toda a onda se aposentou comigo!
Aos sargentos responsáveis pela formação de policiais, minha admiração Aos meus eternos comandantes, Capitão Nascimento, hoje coronel, ao tenente Jair, também coronel, minha gratidão por longa convivência. À família do sargento Roderval, dedico este texto com carinho e respeito. Tenho orgulho de ter sido seu aprendiz! Ao quartel de  Taubaté, onde nunca mais voltei, minha saudade de tempos tão imprescindíveis na minha vida!

Bueno – cantor, compositor

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Eis o perigo de mexer com pessoas inteligentes....

O humorista Danilo Gentili postou a seguinte piada no seu twitter:

"King Kong, um macaco que, depois que vai para a cidade e fica famoso, pega uma loira. Quem ele acha que é? Jogador de futebol?"

A ONG Afrobras se posicionou contra: "Nos próximos dias devemos fazer uma carta de repúdio. Estamos avaliando ainda uma representação criminal", diz José Vicente, presidente da ONG. "Isso foi indevido, inoportuno, de mau gosto e desrespeitoso. Desrespeitou todos os negros brasileiros e também a democracia. Democracia é você agir com responsabilidade" , avalia Vicente.

Alguns minutos após escrever seu primeiro "twitter" sobre King Kong, Gentili tentou se justificar no microblog:

"Alguém pode me dar uma explicação razoável por que posso chamar gay de veado, gordo de baleia, branco de lagartixa, mas nunca um negro de macaco?" (GENIAL) "Na piada do King Kong, não disse a cor do jogador. Disse que a loira saiu com o cara porque é famoso. A cabeça de vocês é que têm preconceito."

Mas, calma! Essa não foi a tal resposta genial que está no título, e sim ESTA:

"Se você me disser que é da raça negra, preciso dizer que você também é racista, pois, assim como os criadores de cachorros, acredita que somos separados por raças. E se acredita nisso vai ter que confessar que uma raça é melhor ou pior que a outra, pois, se todas as raças são iguais, então a divisão por raça é estúpida e desnecessária. Pra que perder tempo separando algo se no fundo dá tudo no mesmo?

Quem propagou a ideia que "negro" é uma raça foram os escravagistas. Eles usaram isso como desculpa para vender os pretos como escravos: "Podemos tratá-los como animais, afinal eles são de uma outra raça que não é a nossa. Eles são da raça negra".

Então quando vejo um cara dizendo que tem orgulho de ser da raça negra, eu juro que nem me passa pela cabeça chamá-lo de macaco, MAS SIM DE BURRO.

Falando em burro, cresci ouvindo que eu sou uma girafa. E também cresci chamando um dos meus melhores amigos de elefante. Já ouvi muita gente chamar loira caucasiana de burra, gay de v***** e ruivo de salsicha, que nada mais é do que ser chamado de restos de porco e boi misturados.

Mas se alguém chama um preto de macaco é crucificado. E isso pra mim não faz sentido. Qual o preconceito com o macaco? Imagina no zoológico como o macaco não deve se sentir triste quando ouve os outros animais comentando:

- O macaco é o pior de todos. Quando um humano se xinga de burro ou elefante dão risada. Mas quando xingam de macaco vão presos. Ser macaco é uma coisa terrível. Graças a Deus não somos macacos.

Prefiro ser chamado de macaco a ser chamado de girafa. Peça a um cientista que faça um teste de Q.I. com uma girafa e com um macaco. Veja quem tira a maior nota.

Quando queremos muito ofender e atacar alguém, por motivos desconhecidos, não xingamos diretamente a pessoa, e sim a mãe dela. Posso afirmar aqui então que Darwin foi o maior racista da história por dizer que eu vim do macaco?

Mas o que quero dizer é que na verdade não sei qual o problema em chamar um preto de preto. Esse é o nome da cor não é? Eu sou um ser humano da cor branca. O japonês da cor amarela. O índio da cor vermelha. O africano da cor preta. Se querem igualdade deveriam assumir o termo "preto" pois esse é o nome da cor. Não fica destoante isso: "Branco, Amarelo, Vermelho, Negro"?. O Darth Vader pra mim é negro. Mas o Bill Cosby, Richard Pryor e Eddie Murphy que inspiram meu trabalho, não. Mas se gostam tanto assim do termo negro, ok, eu uso, não vejo problemas. No fim das contas, é só uma palavra. E embora o dicionário seja um dos livros mais vendidos do mundo, penso que palavras não definem muitas coisas e sim atitudes.

Digo isso porque a patrulha do politicamente correto é tão imbecil e superficial que tenho absoluta certeza que serei censurado se um dia escutarem eu dizer: "E aí seu PRETO, senta aqui e toma uma comigo!". Porém, se eu usar o tom correto e a postura certa ao dizer "Desculpe meu querido, mas já que é um afrodescendente, é melhor evitar sentar aqui. Mas eu arrumo uma outra mesa muito mais bonita pra você!" Sei que receberei elogios dessas mesmas pessoas; afinal eu usei os termos politicamente corretos e não a palavra "preto" ou "macaco", que são palavras tão horríveis.

Os politicamente corretos acham que são como o Superman, o cara dotado de dons superiores, que vai defender os fracos, oprimidos e impotentes. E acredite: isso é racismo, pois transmite a ideia de superioridade que essas pessoas sentem de si em relação aos seus "defendidos"

Agora peço que não sejam racistas comigo, por favor. Não é só porque eu sou branco que eu escravizei um preto. Eu juro que nunca fiz nada parecido com isso, nem mesmo em pensamento. Não tenham esse preconceito comigo. Na verdade, SOU ÍTALO-DESCENDENTE. ITALIANOS NÃO ESCRAVIZARAM AFRICANOS NO BRASIL. VIERAM PRA CÁ E, ASSIM COMO OS PRETOS, TRABALHARAM NA LAVOURA. A DIFERENÇA É QUE ESCRAVA ISAURA FEZ MAIS SUCESSO QUE TERRA NOSTRA.

Ok. O que acabei de dizer foi uma piada de mau gosto porque eu não disse nela como os pretos sofreram mais que os italianos. Ok. Eu sei que os negros sofreram mais que qualquer raça no Brasil. Foram chicoteados. Torturados. Foi algo tão desumano que só um ser humano seria capaz de fazer igual. Brancos caçaram negros como animais. Mas também os compraram de outros negros. Sim. Ser dono de escravo nunca foi privilégio caucasiano, e sim da sociedade dominante. Na África, uma tribo vencedora escravizava a outra e as vendia para os brancos sujos.

Lembra que eu disse que era ítalo-descendente? Então. Os italianos podem nunca ter escravizados os pretos, mas os romanos escravizaram os judeus. E eles já se vingaram de mim com juros e correção monetária, pois já fui escravo durante anos de um carnê das Casas Bahia.

Se é engraçado piada de gay e gordo, por que não é a de preto? Porque foram escravos no passado hoje são café com leite no mundo do humor? É isso? Eu posso fazer a piada com gay só porque seus ancestrais nunca foram escravos? Pense bem, talvez o gay na infância também tenha sofrido abusos de alguém mais velho com o chicote.

Se você acha que vai impor respeito me obrigando a usar o termo "negro" ou "afrodescendente" , tudo bem, eu posso fazer isso só pra agradar. Na minha cabeça, você será apenas preto e eu, branco, da mesma raça - a raça humana. E você nunca me verá por aí com uma camiseta escrita "100% humano", pois não tenho orgulho nenhum de ser dessa raça que discute coisas idiotas de uma forma superficial e discrimina o próprio irmão."

Meu pequenino


                                          Bueno/fev/2012        

Uma cantiga quis fazer
Pra você meu pequenino
Que chegou em minha vida
Fazendo-me voltar a ser menino

Sua chegada foi esperada
Com muito amor meu pequenino
Você chegou mudando tudo
Encheu de flores meu destino

Com pincéis eu vou desenhar
E pintar o seu caminho
Que terá as cores da alegria
E será só pra você meu pequenino

O Arco íris tem as cores
Que roubarei pra você meu pequenino
Vou colorir sua alma pura
Que ao te olhar me lembra Jesus menino

Mamãe cuida de você
A rodear-te de carinho
Papai não sabe o que fazer
Pra te agradar meu pequenino

Seu irmão então com sua presença
Não cabe em si de tão feliz
E você do seu jeito meu pequenino
Pra chamá-lo solta logo um agudo...Iiiiiiiizzz


Vovó não se cansa de dizer
Como é lindo esse meu menino
E esse Vovô babão não deixa por menos e diz
Mas como eu amo você...Meu pequenino

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

SÓCRATES E KADAFI


     Estávamos almoçando já há algum tempo no Cochilha dos Pampas eu Sócrates e Datena, a prosa rolava com os mais variados assuntos quando toca o telefone do magrão que conversava em inglês e a mesma se alongava, Datena me perguntou se eu sabia alguma coisa desse bate papo, disse que não, quando desligou Datenão todo curioso queria saber com quem o Dr. levava um lero em outra língua, Sócrates como sempre, na maior simplicidade falou que era um assessor de Kadafi, presidente da Líbia, estavam negociando já há algum tempo a ida de magrão ao seu pais para ser testemunha do casamento de um dos sobrinhos do presidente, que na época estava na mídia mundial botando a maior banca. Kadafi sendo super fã do doutor da bola queria saber quanto era o cachê da sua presença no casório, magrão já tinha passado o valor e tentava explicar que até aquele momento a grana não estava na sua conta, ele disse ao assessor que desta forma não iria, o Libiano ficou de resolver e voltaria a ligar, magrão comentou com a gente que já tinha entrado em uma fria com a seleção de Masters na Europa e que não cairia em outra, continuamos nossa prosa e pouco mais de uma hora o homem confirmava com Sócrates que o dinheiro já estava liberado, a viagem foi confirmada para a semana seguinte.
     Ficamos aguardando a volta de Sócrates para nos contar mais uma de suas histórias, o que aconteceu uns dez dias depois, Magrão foi com apenas uma mala, voltou com varias cheias de presentes, o povo de lá adora presentear, ainda mais um ídolo mundial, disse Sócrates que seu avião teve que pousar na Tunísia, pais vizinho por causa do embargo que a Líbia sofria na época, mas que uma comitiva estava aguardando e o conduziu até Trípoli, chegou por volta de duas da tarde e as quatro já era recebido pelo presidente Kadafi. Sócrates admirou porque no mesmo hotel estava o primeiro ministro do Sudão que há uma semana aguardava uma audiência com o presidente e não conseguia, ele mal chegou e já estava no palácio presidencial, Kadafi não escondendo sua alegria em conhecer o doutor pessoalmente, demonstrou toda sua tietagem, apresentando a seu ídolo, farto acervo da sua vida profissional esportiva, magrão não sabe como ele conseguiu tanto material, entrevistas, gols pelos clubes onde passou, gols pela seleção brasileira, jogadas geniais que ao mundo encantou principalmente usando o calcanhar.Aonde Sócrates ia com Kadafi era ovacionado pelo povo Libiano.Todos os dias tinha festa, mas só para homens, segundo magrão lá mulheres existem somente para procriarem.
     Casamento na Libia demora uma semana, é a cultura do pais, tempo do contrato acordado, disse Sócrates que participou como testemunha da compra da noiva, onde só poderiam estar presentes os pais da noiva do noivo, e filhos homens, houve fervorosa negociação no fim ela foi arrematada baratinho...... Mil dólares compraram a moça sem a conhecer e que o noivo só a viu no dia do casamento, uma noite foi organizada uma festa para as famílias e convidados e que só nesse dia as mulheres tinham autorização de participarem.
    Essa é uma das histórias de um ídolo do futebol brasileiro que fez parte da seleção mais injustiçada que vi jogar, A SELEÇÃO DE 1982, não trouxe o caneco, mas honrou nosso pais.

Bueno cantor e compositor
buenocantor@terra.com.br

SE CERVEJA fosse gente da família...

Brahma seria a esposa, porque é a número 1.
Skol seria a amante, porque é a mais gostosa.
Kaiser seria a filha, porque só da dor de cabeça.
Bavaria seria a sogra, porque não desce de jeito nenhum.
Schincariol seria o cunhado, porque ninguém gosta, mas todo mundo leva
pro churrasco.
Itaipava seria a puta, porque todo mundo gosta mas ninguém assume.
Heineken seria o primo rico, porque todo mundo se acha importante
quando está com ele na mesa.
Bohemia seria a avó, porque as pessoas acham doce mas depois reclamam.
E Antarctica seria a tia baranga, porque já foi boa.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

 O fotógrafo Luiz Paulo Machado fez esta foto do Pelé que talvêz seja sua obra prima uma vêz que ela já foi super premiada.
Veja o detalhe de um coração desenhado pelo suor do Rei bem no meio do peito dele, justamente na amarelinha da nossa seleção.
Buenão.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Henrique Bartsch e a guitarra dos Mutantes


 
* Bueno
buenocantor@terra.com.br
www.buenocantor.blogspot.com

Conviver com grandes perdas... Acho até que estou ficando calejado com esse triste convívio. Senti tanto as duas últimas que somente hoje criei coragem para escrever a respeito delas. Falo das “partidas-despedidas” de Henrique Bartsch e Sócrates. Hoje quero escrever sobre Henrique, do Magrão escrevo em outra oportunidade, até porque estava me refazendo da precoce partida de Henrique quando Sócrates foi chamado pelo Pai maior e também se mandou...
Mas, são duas pessoas que amo e de quem sempre fui megafã, marcaram profundamente a minha vida. Fico pensando no que me disse Dodô, amigo antigo também da Vila Tibério, quando dia destes cruzei com ele no centro, perto do Palace: “Buenão, pessoas como Henrique, Sócrates, são artistas escolhidos por Deus para vir à Terra, dar um show e voltar, amigo...” Dodô acertou na mosca.
Sou três anos mais velho que Henrique e me lembro da gente adolescente na Vila Tibério, eu aprendendo a tocar violão e guitarra, os Beatles estourando no mundo todo, mudando costumes e revolucionando a música. Henrique tinha formação clássica de piano e, sempre muito talentoso, também se rendeu à nova onda e passou a tocar guitarra, violão 12 cordas e baixo.
Ele conseguia tirar as músicas com os acordes iguais a John Lennon e Paul McCartney, minha geração o tinha como nosso mestre e quando era lançada uma música nova dos meninos de Liverpool, nós corríamos até a casa do Henrique, ali na rua Rodrigues Alves, que naquela altura já a estava tocando, cheio de domínio, paixão e talento, como sempre!
Ele, com carinho e paciência, nos passava acorde por acorde e também os solos de guitarra do George Harrison, e fazíamos aquela festa quando conseguíamos tocar igual ao disco. Ah... Os velhos e inesquecíveis LPs!! Henrique era pouco mais que um menino e já era respeitado na Vila Tibério como um grande músico. Daí para montar seu primeiro conjunto foi apenas um passo.
Nascia o “Grupo 17”, tendo Johnny Oliveira como sócio. Este conjunto teve várias formações, mas sempre com a mesma pegada, a mesma qualidade! A cidade estranhou quando mudaram o nome para “Grupo Nós”, mas, acabamos nos acostumando e aí está ele hoje sobre o comando de Rafael, filho de Johnny, e de Caetano, filho de Henrique.
Na mesma época, surgia em Sampa “Os Mutantes”, que tiravam um som de suas guitarras que nós, por mais que tentássemos, não conseguíamos, até que descobrimos que um irmão de Arnaldo, engenheiro eletrônico, usava seus conhecimentos fabricando um aparelho que modificava o som das guitarras: o mistério foi desvendado!
Hoje, para a alegria dos músicos, existe uma pequena maleta cheia de pedais, chamada de pedaleira, em que o músico, tocando a guitarra, tira até som de violino, basta dar um toque num pedal.
A vida seguiu até que surgiu na cidade um comentário de que Henrique e Johnny compraram uma das guitarras dos Mutantes. Foi aquele auê, todo mundo queria ver a tal guitarra e eu mesmo fui conhecê-la tempos depois, tamanho era o ciúme que eles tinham dela e com razão, era mesmo uma preciosidade!
Quando comecei meu projeto de cantar grandes nomes da música brasileira aqui em Ribeirão Preto, ao cantar o repertório de Roberto Carlos ou Fagner, morria de vontade de convidar Henrique para tocar na banda, mas meu desejo esbarrava na altura do cachê que ele poderia pedir, até que me enchi de coragem e lá fui eu convidá-lo. Antes de perguntar de quanto seria sua paga, ele surpreendeu-me, dizendo: “Mas que honra Buenão, somos amigos de mocidade, pouco tocamos juntos, não perco essa oportunidade por nada e não quero nem cachê, só quero uma mesa na cara do gol para minha família”.
Os outros músicos nem acreditavam que Henrique estava no time, e ele, como sempre, prestativo, colocou à disposição seu estúdio para ensaios e fomos para o show.
Passamos o som à tarde e eu nada vi de novo. Logo mais à noite, num Bar do Val superlotado, músicos chegando, vejo Henrique tirar de um velho estojo uma guitarra. Ele a colocou num cavalete com todo cuidado, logo me aproximei e ele disse: “Buenão, vais cantar ao som da guitarra dos Mutantes, amigo!!!”
No meio do show não perdi a chance e a emoção de apresentar para nosso público a guitarra que tirava nosso sono na época da Jovem Guarda... Querido amigo Henrique Bartsch, essa crônica é para você.

* Cantor e compositor