sexta-feira, 26 de julho de 2013

Sururu no casamento da ‘Barata’

* Bueno
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Tião do Violão, meu amigo e parceiro de tantas, encorajado pelas fotos que tirei quando de minha viagem ao Rio de Janeiro, em abril último, resolveu, com sua primeira-dama a tiracolo, fazer o que fiz. Passei-lhe todas as dicas e lá foi ele cheio de gingado, camisa colorida, bermuda e sapatos brancos e na cabeça um chapéu “panamá”, igual aos que uso. Levei Tião ao aeroporto, não sem antes lhe dizer: “Tu tá parecendo o Buenão, meu compadre...” Ele deu aquela risada manjada e respondeu: “Tô vestido de sambista, afinal Buenão, somos sambistas da gema, parceiro.” Daí eu arrematei: “Tião, fui vestido assim e os cariocas pensavam que eu era turista americano, tu vai ver... está na maior pinta de gringo, amigo!”
E lá foi Tião do Violão aportar na capital do samba. Já na primeira noite foi conhecer a quadra da Mangueira, voltou pra Copacabana, onde estava hospedado, de madrugada, feliz da vida e me ligou. Dei-lhe uma dura: “Pô, Tião, você sabe que hora é agora, cara???” Ele baixou a bola e eu aproveitei: “Quatro da manhã, seu mala.” E ele: “Buenão!!! Tinha que te ligar, compadre, tô chegando agora da Mangueira, meu!!! Foi demais, até dei uma canja no cavaquinho do grupo que fazia a galera sacolejar seus esqueletos.”
“Tá bom, Tião”, disse eu. Não dei linha na pipa, esperando que ele fosse breve no papo, mas o velho sambista estava animado, começou a falar das passistas de corpos esculturais, dos artistas presentes na quadra... Papo vai, papo vem e antes que ele engatasse outra conversa educadamente lhe falei: “Parceiro, amanhã continuamos este lero.” Conheço Tião, o papo não tem fim (rsrsrsr). Todos os dias ele me ligava maravilhado com tudo que via.
Tinha lhe falado sobre um bar que fica pertinho do famoso Copacabana Palace, e na noite do último dia 13 ele estava com sua primeira-dama e mais um casal de amigos aboletados numa mesa, curtindo Miguelzinho do Cavaco e seus músicos cantando samba raiz, quando ouviu uma manifestação vinda do badalado hotel. A muvuca era tanta e ele, curioso como é, chamou o amigo para lhe acompanhar, deixando as damas segurando a mesa. Num pulo estavam lá. Eele achava que era algum artista famosão, mas ao se aproximar, logo de cara uma nota de 20 reais em forma de aviãozinho bateu em seu peito e outras mais sobrevoavam a multidão espremida.
Elas vinham da sacada do hotel, de onde passaram também a atirar “bem casado”, aqueles docinhos de casamento. A galera que protestava ficou ainda mais furiosa, levantando cartazes de “Fora Barata... Voltem para o esgoto” “Eu é que estou pagando a festa”. De repente, de onde vinha a grana e doces, veio também um cinzeiro de vidro que fez um azarado levar seis pontos na cuca. Aí o bicho pegou.
Tião descobriu que tal muvuca era o casamento da herdeira do rei do ônibus do Rio de Janeiro, cujo sobrenome é Barata, e o que estava se gastando com a festa era de humilhar muitos milionários por aí. Tião disse que todos que chegavam eram hostilizados, mesmo hóspedes que nada tinham a ver com a festa eram premiados com a pontaria certeira de quem arremessava ovos. Soube que a noiva, choramingando, lamentava “bem no dia mais feliz da minha vida”
Tião e o amigo se mandaram assim que a policia chegou fazendo aquele esparramão e voltaram ao bar com vintão no bolso. No dia seguinte, aquele auê todo estava nos jornais dizendo que a manifestação havia começado na igreja da área central do Rio e que ao invés de arroz jogaram, na noiva e convidados, baratas de plástico que muitas madames pensavam ser verdadeiras. Ffoi o maior quiproquó, da pra imaginar.
Como diz meu amigo Chico Lorota: “Acontecido”. Meu parceiro voltou do Rio cheio de histórias e puxando nos erres e nos esses como um carioca da gema.

* Cantor e compositor 

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Tio João ‘viajou’

* Bueno
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Minha crônica de hoje queria muito tê-la escrito algum tempo atrás, quando Tio João estava com a gente aqui na terra. Muitas vezes o citei em artigos passados, sempre contando alguma passagem que vi em sua companhia. O conheci faz mais ou menos 18 anos, levado que fui pelo meu amigo Sócrates. Lembro-me que cantava no Restaurante Ponto Chic, que ficava ali na avenida Antonio Zerrener esquina com rua Amapá, e Sócrates quase que todo fim de semana picava cartão por lá.
Em nossos bate-papos, ele dizia: “Buenão, você tem que ir co­migo num lugar”. Percebi que ele era espírita e o convite era pa­ra ir no centro que ele frequentava. Eu, de formação católica, sempre tive um pé atrás com o espiritismo, imaginava ser um local onde se usava sangue de animais, velas vermelhas e tu­do mais, tudo isso me amedrontava. Até que, em uma sexta-fei­ra, eu estava cantando, e num intervalo sentei-me à mesa do Ma­grão e ele foi logo falando: “Buenão, não quero nem saber, ama­nhã passo na sua casa uma e meia da tarde, te pego e você vai comigo nem que for na marra.”
Sócrates sempre foi muito pontual. E lá fui eu meio que ressabiado, mal sabendo que naquela tarde ia conhecer Tio João, uma doçura de ser humano. Sócrates logo disse... “Buenão, Tio João veio a este mundo só pra fazer o bem.” Daí eles me levaram para uma sala que tinha uma enorme mesa com toalhas branquinhas, copos e uma jarra com água, nada de velas. Nas paredes imagens de Jesus, Chico Xavier e Alan Kardec. Confesso que nunca senti paz maior, parecia estar em um sonho.
Naquela mesma tarde fui submetido a uma cirurgia espiritual e curado de uma dor próximo ao umbigo, mas o pós-operatório é que foi lindo, sai de lá como se estivesse feito uma cirurgia em hospital tradicional, sentindo o repuxar dos pontos. Ao sair, o Dr. Hermamm, médico alemão que incorporava na mé­dium Ana, me disse que na noite seguinte, domingo, era pra que eu ficasse deitado que a equipe dele iria em minha casa, entre oito e nove da noite, fazer curativo.
Pensei: “Pô! Como irão a minha casa se nem pegaram meu endereço???” Pra minha surpresa, no horário combinado senti mãos invisíveis mexendo na região operada, fiquei em estado de graça com tudo que vivi e a partir deste dia descobri a minha verdade religiosa: tornei-me espírita. Pena ter demorado tanto para descobrir caminhos tão esclarecedores.
Passei a frequentar a rua Santos nº 1.555, sempre acompanhando Sócrates, e a cada dia me surpreendia mais com Tio João. Via naquele homem uma figura rara de ser humano, ele me lembrava Chico Xavier, me lembrava São Francisco dada a sua enorme vontade na prática da caridade.
 Em 1999 ele criou o Lar do Jovem Idoso com os meios que tinha, na época a estrutura era um pouco tímida e hoje acolhe 50 velhinhos que suas famílias ignoram. Alem disso, todas as tardes fornece sopa para moradores ao redor, contando com ajuda de colaboradores, entre eles o Varejão Cenourão.
Tio João aumentou o espaço físico comprando os terrenos vizinhos, também com ajuda de bondosos corações. Sócrates muito ajudou nessa fase, a coisa ganhou corpo e muitas pessoas caridosas começaram a participar.
Tive a graça de receber ali duas mensagens psicografadas do meu filho Lucas Bueno, que muito me confortaram. Vi e vivi com Tio João coisas maravilhosas que só quem estava presente pôde testemunhar. Na quarta-feira, dia 3 de julho, dez da manhã, deu-me uma enorme vontade de vê-lo e fui até o asilo. Disseram que ele não estava bem e fui até sua casa, que é vizinha. O velho amigo estava acamado dizendo que foi pegar uma prancha pesada e sua coluna saiu do lugar. Liguei para um amigo massagista que só tinha horário as três da tarde, e quando fui pegá-lo, já estava na Santa Casa, de onde saiu na sexta-feira para sua última morada.
Minha ida na quarta-feira à casa dele me diz que fui abençoado, recebendo um aviso dos céus, tipo: “Vá despedir-se do Tio João que ele está partindo...”

* Cantor e compositor 

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Amigos o coração escolhe

* Bueno
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Vi esta frase no Faceboock e me apaixonei, foi amor a perder de vista. Tenho essa mania, vejo uma frase e viajo para mundos inimagináveis, nem sei quem é o autor, mas ela é genial: “Amigos o coração escolhe”. E olha que meu coração tem se dado bem nas escolhas, tem me presenteado com amigos maravilhosos, amigos por quem choro sempre que me vem à mente uma situação em que vivemos juntos, amigos recentes, amigos do meu tempo de menino, da minha juventude, aqueles que pouco vemos, mas sempre que isso acontece não tem como conter a emoção.
Sócrates, meu grande amigo, numa noite no Empório Brasília, estávamos no maior bate-papo, daí ele se calou, ficou um tempão olhando o vazio, parecendo muito distante. Magrão tinha muito disso. De repente voltou com a corda toda e até deu de filosofar quando entrou na prosa o assunto amigo. Num certo momento, ele disse: “Buenão... Conheço tanta gente, mas amigos mesmo, não tenho muitos, mas os que tenho te garanto que são grandes amigos.” E completou: “Buenão, leve esta contigo: amigos não se compra... se conquista”.
E por falar em amigos, vou comentar algumas músicas que nos fazem valorizar ainda mais os amigos que temos, como aquela de Milton Nascimento e Fernando Bland, que escreveram a imortal letra de Canção da América: “Amigo é coisa pra se guardar, no lado esquerdo do peito” Essa é uma pancada.
Roberto Carlos compôs Amigo e surpreendeu seu parceiro Erasmo Carlos num especial de fim de ano, ao cantar e dizer que havia feito essa música pra ele. Ambos choraram muito. “Você meu amigo de fé, meu irmão camarada, amigo de tantos caminhos e tantas jornadas, você que me diz a verdade com frases abertas, amigo você é o mais certo nas horas incertas”. Também acho que amigo é isso, amigo que é amigo aparece nas horas incertas, são nossos anjos. No final, Roberto encerra com “não preciso nem dizer, tudo isso que eu te digo, mas é muito bom saber, que eu tenho um grande amigo”.
Músicas que falam de amigo, de amizade, existem dezenas e nesta minha crônica de hoje queria falar de um amigaço escolhido pelo meu coração. Ele está morando muito longe, em Belém do Pará, seu nome é Renato Rodrigues. Faz quase oito anos que Renato, por motivos profissionais, deixou nossa Ribeirão Preto, mas nos comunicamos sempre por e-mail e nos tratamos como amigos-irmãos.
Acho genial, fomos apresentados por outro grande amigo, coronel Luiz Menegucci. Ele disse que Renato cantava muito bem e quando o vi cantando tirei meu chapéu, é dono de uma voz afinada, forte e grave, um sambista nato. Logo o convidei para uma participação especial em meu show e ele arrasou. Não bastasse isso, também é um compositor admirável.
Quando meu filho Lucas Bueno nos deixou, sem que eu soubesse, Renato carinhosamente compôs uma música pra mim, ela ajudou-me a superar tamanha perda. Tanto letra quanto música são lindas, é uma mensagem de muita energia. Ele a cantou em seu último show antes de se mudar para o Norte.
Por parte de pai, nas veias de Renato corre sangue espanhol e ele teve a sacada de fazer a letra toda na língua paterna, Bueno que seas Bueno.
Diz parte da letra que “bueno” é bom em espanhol e por ser um cara bom sou seu amigo, me aconselha a seguir minha história porque assim é a vida, às vezes maravilhosa, outras vezes tão sofrida... Que eu siga entre canções porque minha vida é cantar...Juntos fazemos a festa e também choro contigo... amigo te quero muito como se fosse meu irmão... No final diz: “Tu vives para cantar...” Sempre que a ouço não tem como não me emocionar.
Pois é, meu querido amigo-irmão Renato, amigos o coração escolhe e você acho até que meu coração demorou um bocado para encontrá-lo, isso porque amigo como você é a coisa mais difícil de achar... Ainda bem que ele conseguiu.

* Cantor e compositor 

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Maluco beleza

* Bueno
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Nesta minha crônica de hoje, quero prestar uma homenagem a um dos meus ídolos do meio musical, o velho Raul Seixas, que faria aniversário hoje, 28 de junho. No lindo samba Súplica, de João Nogueira e Paulo Cesar Pinheiro, tem uma frase que sempre uso quando me refiro a alguém que nos deixou, algo que não vai morrer: O nome a obra imortaliza.
Pois é, meu querido Raul, esta frase  “o nome a obra imortaliza” cabe perfeitamente pra você, que viajou em 21 de agosto de 1989 e nem percebi, não percebi porque você está mais vivo que muitos que pensam que estão, sua obra é de tamanha magnitude que todos os dias, em qualquer canto deste nosso imenso Brasil, tem um cantor honrando o que escrevo.
Eu não o conhecia até ouvir Ouro de tolo pela primeira vez, isso em 1973, e fiquei paradaço, analisando a música que era diferente de tudo. A letra, então, saía do lugar comum, principalmente o final, em que fala: Eu é que não me sento no trono de um apartamento com a boca escancarada cheia de dentes, esperando a morte chegar..”.
Meu, quando ouvi isso, disse: “Este cara está muito na frente de todos nós”. Na hora o elegi como um de meus ídolos e vejo que não me decepcionei, porque vieram outras pérolas cantadas por ele, por exemplo, o Rock das aranhas, em que retrata uma cena de lesbianismo já naquela época, diz que olhou por sobre um muro e viu duas mulheres colocando suas aranhas pra brigar.
Sempre que me refiro a Raul, digo que ele foi o maior roqueiro brasileiro de todos os tempos, foi um dos pioneiros do gênero. Na minha opinião, se fosse um cantor inglês ou americano estaria no mesmo nível de Bob Dylan.
Como esquecer Sociedade alternativaMosca na sopaTrem das sete... estas músicas estão sempre sendo regravadas e quem não as conhece pensa que é coisa nova, tanto pelas letras como pela qualidade musical, suas linhas melódicas eram diferentes das demais.
Raul tinha suas fases de ostracismo, mas de repente ressurgia e era aquele arraso, sempre envolvido com muita bebida e droga. Foi justamente nesta fase, em 1982, que cantou pra 150 mil pessoas na Praia do Gonzaga, em Santos. No mesmo ano quase foi linchado na cidade de Caieiras, porque o achavam impostor, estava bêbado e muito magro. Em Brasília também aconteceu o mesmo.
Outro roqueiro baiano como ele, Marcelo Nova, que era seu fã, resolveu resgatá-lo e armaram uma turnê para 50 cidades brasileiras. Foi um sucesso enorme, embora Raul, muito doente, tenha participado apenas de meio show. Na manhã de 21 de agosto de 1989, ele foi encontrado morto em seu quarto, não tinha tomado sua insulina na véspera e a silenciosa diabetes o levou.
Eu cantava na Choperia Degraus, meu batera era o saudoso Luizão,   numa noite, após cantar canções do Raul, ao descer do palco, um cara que bebia seu chope sozinho pediu-me para dar uma canja comigo em canções do velho roqueiro. Dizia ser baterista do Maluco Beleza, inclusive na gravação do rock Al Capone – aquela bateria nervosa foi ele quem tocou.
Voltamos ao palco e o cara estraçalhou na bateria, e eu ali, cheio de graça tocando e cantando com o baterista do Raul Seixas. Depois, já intimo, perguntei-lhe o que o trazia aqui em Ribeirão Preto, e ele disse que estava na rodoviária de São Paulo e comprou passagem errada, queria ir pra São José do Rio Preto... Caiu aqui de paraquedas e foi pra noite...
Feliz aniversário, inesquecível Raul Seixas.

* Cantor e compositor 

domingo, 16 de junho de 2013

Apelidos... quem não tem???

* Bueno
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Taí uma parada legal: apelidos. Legal porque quanto mais o cara apela, mais a coisa pega. Muitas vezes a pessoa ganha o apelido por uma mania que ela tem e talvez nem a perceba, mas tem cara antenado que saca logo a figura e vai logo lhe chamando disso ou daquilo. Quando se dá conta, surge mais um apelido. E olha que existem apelidos perfeitos, desses que casam perfeitamente com o personagem.
Tem apelido que pega fácil, quase que natural, surge do nada, mesmo que a pessoa não apele, quando vê já pegou, às vezes é um apelido até carinhoso. Meu amigo Tião do Violão, quando garoto na Vila Tibério, jogava bola no campo do Guana­bara, onde hoje é uma escola, ali na rua Borba Gato. Muitos cavalos pastavam naquele imenso gramado e ele era magrelo de pernas compridas, corria muito, ganhou fácil o apelido de “Galopão”, lembrando o galope de um cavalo. Ainda hoje, quando estou com ele e cruzamos com seus antigos amigos, alguns ainda lhe chamam assim, “Galopão”.
Vejam este apelido: “Botão”... Um gaúcho representante de uma multinacional estava de passagem por Ribeirão Preto e fez amizade com a gente numa roda de prosa no Empório Brasília. Quando entrou o assunto apelido, ele riu muito e contou que quando serviu o Exército, em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, lá tinha um oficial daqueles bem “caxias” que quando via um recruta com algum botão da farda desabotoado, além de lhe chamar atenção, botava a tal falta no papel e o recruta dançava feio.
No meio militar, recruta carrega a imagem de só aprontar, e logo apelidaram o oficial de “Botão”. A noticia esparramou pelo quartel e o homem, quando soube, ficou muito bravo. O apelido ia pegando cada vez mais. O gaúcho disse que o oficial chegou até a pedir transferência de quartel, porque esse negócio de “botão” passou a ter dois sentidos (rsrsrsrsr).
Paulinho da Viola, nosso grande sambista, no dia seguinte de seu show aqui na cidde, tomando chope com nossa turma num churrasco, disse que quando estava gravando seu maior sucesso, “Foi um rio que passou em minha vida”, um músico chamado Luizinho tocava pandeiro na gravação, e quando Paulinho cantava no estúdio o seu samba, Luizinho disse uma palavra que não estava na letra original, justamente na parte em que Paulinho dizia “porém”. Luizinho achou que faltava alguma coisa e mandou ver um “aí, porém”. Todos gostaram da sacada do músico e o apelidaram de “Luizinho Porém”... Coisa de carioca...
Vejam esse apelido: “Cajuzinho”. Quem o ganhou foi um bombeiro com pinta de galã, ele era do tipo saradão, pois fazia muitos exercícios diários, só que tinha um problema: “Cajuzinho” não aceitava o passar do tempo que lhe branqueou os cabelos e tascava no “telhado” uma tinta que fazia aquela lambança de cor amarelada. Os amigos não perdoaram, daí tascaram-lhe o apelido de “Cajuzinho”... Quando soube, ficou uma fera... e “Cajuzinho” pegou.
Meu amigo Cabral conta que quando fazia escola da Policia Militar em Taubaté, isso faz mais de 40 anos, tinha alguns exercícios que exigiam um certo preparo físico, principalmente de braço. Entre os recrutas tinha um que não acompanhava os demais de jeito nenhum, até porque era meio gordinho, daí lhe apelidaram de “Chumbão”, meu!!! Quando alguém lhe chamava de “Chumbão”, ele queria quebrar todo mundo no braço... Não teve jeito: o apelido pegou fácil: “Chumbão”.
Um amigo que serviu no quartel da Aeronáutica de Piras­sununga conta sobre um recruta que, ao levantar o braço pra fazer educação física, espantava todo mundo porque exalava um cheiro do sovaco que fazia desmaiar a recrutada. Ele ganhou o apelido de “Leão”. E eu nem sabia que leão cheirava a cecê... Apelidos temos aos montes, prometo revelar aqui mais alguns.

* Cantor e compositor 

sábado, 8 de junho de 2013

Boemia em plena segundona

* Bueno

Havia alguns anos que eu não desfrutava de uma gostosa boemia, talvez desde que Sócrates levantou acampamento para morar em Sampa. Boemia saudável aprendi com meu querido amigo, o saudoso Laerte Alves, na época presidente do Botafogo. Também chegado numa noite sem pressa, dizia: “Buenão, as pessoas confundem boemia com ‘putaria’, boemia é o que faze­mos, nada de mulheres da difícil vida fácil no meio, numa boemia discutimos de tudo e até fechamos grandes negócios.”
E ele tinha razão, pois foi numa dessas noitadas que conseguiu vender o jogador Jajá para um time mexicano. Eu e Sócrates estávamos nessa parada. Lembro-me que Laerte convocou-me para levar meu violão e cantar uns boleros enquanto a negociação rolava, isso no Bar Breno’s, na avenida Nove de Julho, onde hoje funciona uma imobiliária... Saudade, muita saudade...
Domingo passado acordei, por força do hábito, muito cedo e resolvi entrar no delicioso Facebook. Meu grande amigo e cantor, compositor e parceiro musical Beto Godoy fazia o mesmo. Dele recebi convite para, no dia seguinte, em plena segundona, jogar conversa fora e cerveja dentro, após o futebol dos músicos na quadra do Olé da avenida do Café. Topei, até porque ia rever nossos músicos que só folgam na segunda-feira.
Entre eles estavam os meninos do Grupo Nós, Juninho Tamburus que toca com a dupla Rio Negro & Solimões e outros que não foram pra jogar, mas para bater um papo com a galera. De repente chegam Daniel Oliveira e Clécio, e para nossa surpresa pinta no pedaço Sudu Lisi, baterista do Sambô, grupo aqui de Ribeirão Preto e que hoje é sucesso nacional com música até na novela das sete.
Acabou o jogo, Beto Godoy, que é uma espécie de paizão de todos, foi pilotar a churrasqueira. Ele até acendeu uma fogueira ali pertinho para nos aquecer naquela fria noite, mas nem precisava, até porque a prosa estava tão boa que esquentava nossos corações.
O Sambô faz uma média de 24 shows por mês e essa folga Sudu tirou para visitar os amigos. Nem preciso dizer que a alegria foi geral, pois ele é adorado pela classe musical, quem o conhece sabe que é uma figura, seu jeito de ser, meio maluco beleza, sua forma de se expressar arranca risadas até do cara mais carrancudo. E eu ali, me deliciando com suas histórias.
Depois de muito papo e também por curiosidade, perguntei a ele: “Sudu, com esse negocio de viajar pelo Brasil todo de avião, você nunca passou nenhum aperto que te botasse medo, amigo???” Ele respondeu, com certa expressão de susto... “Buenão!!! Faz pouco tempo, uma mulher armou o maior barraco que deixou todos com vontade de jogá-la fora do avião, cara. Foi num voo Ribeirão-São Paulo, para pousar no Aeroporto de Congonhas, já tinha passado os quarenta minutos normais de voo e nada do avião pousar, deu uma hora, uma e vinte e nada, as aeromoças nada falavam até que o comandante resolveu colocar todos a par do problema dizendo ter dado uma pane no computador, desprogramando-o por completo.”
E continuou: “Sem ter como pousar, ia tentar outros meios e aterrissar em Guarulhos, depois avisou que ali também não dava, e o avião lá no alto, tinha gente ligando pra família, uns até dando adeus... de repente a mulher levantou aos gritos, querendo invadir a cabine do piloto, dando murros na porta... as delicadas aeromoças não conseguiam contê-la, até que um grupo de passageiros a segurou e convenceu a mulher de que estavam todos no mesmo barco...” Sudu tomou fôlego, a galera querendo saber o final e ele arrematou: “Gente, que susto!!! Por fim o piloto disse que pousaríamos no Aeroporto de Vira­copos em Campinas, e para alivio geral, pousou.”
“Daí eu me ferrei”, disse ele. “O voo era pra chegar às três da tarde, eu com compromisso às cinco, desci em Campinas às quatro e meia, tomei um táxi que me cobrou 350 paus porque lhe pedi para voar, só que agora no asfalto. O taxista justificou o preço dizendo que corria o risco de ser multado.” Sudu contou mais histórias, mas fica pra próxima...

* Cantor e compositor 


sexta-feira, 24 de maio de 2013

O velório do piloto boêmio

* Bueno
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Olha, já toquei e cantei em velório a pedido do amigo falecido, até discurso fiz. Teve um em que fizemos o maior samba da paróquia, tudo regado a batidas de tudo que é jeito, caipirinha, cerveja, maior boca livre. Se alguém caísse ali de paraquedas sequer poderia imaginar o que estava acontecendo.
O velório do sambista João Nogueira foi histórico, a imprensa até deu uma cobertura legal, preservo com carinho em meus guardados uma página da revista Veja que retrata o que aconteceu na festa  – opa!!! Velório do grande João, cantor e compositor dos bons, sua obra o imortalizou.
Ele já tinha tido um piripaque e pressentindo que seu prazo de validade estava se esgotando e que a qualquer momento podia se mandar, tratou logo de reunir a família e dizer que em seu velório não queria ninguém chorando.  Era pra convidar todos da escola de samba Tradição, fundada por ele, e também da Portela, que foi sua escola por muito tempo. Nem precisou, todas as escolas se fizeram presentes.
João Nogueira queria muito samba e batucada e destaque para os 300 litros de chope para banhar a sede dos chegados com esta água que passarinho não bebe. Zeca Pagodinho, no maior pileque, não parava de cantar para o amigo.
Luiz Airão, que era confundido com frequência com João Nogueira, disse que estava a caminho do velório do amigo quando, numa esquina, fez uma conversão irregular. O guarda apitou e ao se aproximar, disse: “Até tu, seu João Nogueira...”
A história de hoje não fica muito atrás, não. Quem me contou foi Giba do Pandeiro. Disse ele que foi procurado pela dona de uma funerária, aqui de Ribeirão Preto, que queria contratar seu grupo de chorinho para tocar no velório de um cara que era um apaixonado por choro e vinho chileno... Giba ficou surpreso, pois nunca tinha tocado em velório, e logo perguntou: “Onde está o corpo???” Ela, sorrindo, disse que o cara ainda não tinha morrido. Giba não entendeu nada, mas a mulher completou: o futuro defunto estava vivinho da silva, era piloto de avião internacional e só estava fazendo uma reserva musical funerária pra quando morresse (rsrsrsrsr).
Passada a surpresa, ela disse a Giba que o piloto era um bom vivant, boêmio como poucos, e que onde houvesse uma roda de choro, marcava presença levando suas garrafas de vinho chileno. Ela também falou ser amiga dele de longa data, o cara morava em São Paulo, o filho também era piloto e seu desejo era ser enterrado aqui. Ainda alertou que ela não deveria esquecer de nada do que haviam combinado.
O futuro defunto morava em São Paulo, mas queria ser enterrado aqui com chorinho e era pra servir aos amigos vinhos chilenos. Ele gostava tanto de vinho que nas suas folgas viajava de passageiro até o Chile só pra tomar essa bebida, no maior bate-volta.
Negócio fechado, porém sem data marcada, coisa inédita, o tempo passou e Giba seguindo sua vida... Até tinha esquecido dessa história quando, um ano depois, a dona da funerária lhe avisa da morte do piloto boêmio. E lá foi nosso músico cumprir o prometido. Disse que nem parecia velório de tão chique, garçom vestido de pinguim, buffet brilhando e o tal vinho chileno em taças cristalinas.
Giba, tocando seu pandeiro, ficou intrigado com uma cena: ao lado do defunto havia também uma taça de vinho. Em um intervalo musical, ele foi até perto do caixão e perguntou ao filho piloto do morto o porquê daquela taça de vinho... O jovem respondeu: “Nossa!!! Tinha me esquecido do velho!!!” Pegou na mão do pai, colocou seu dedão na taça e levou até sua boca que estava entreaberta, isso várias vezes. Giba assustou ainda mais foi quando o jovem reveou que aquele era um pedido do pai: servir vinho aos amigos. mas não esquecer dele...

* Cantor e compositor