domingo, 30 de março de 2014

Sócrates, o craque da democracia

Jogador teve papel fundamental na luta pelas Diretas Já

Jornal A Cidade - Tiago Freitas

Uma das mentes mais brilhantes da história do futebol nacional, Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira, paraense radicado em Ribeirão Preto, não representou a nação apenas como “futebolista” em 65 jogos pela seleção Canarinho. Seus 15 anos como atleta profissional também foram marcados pelo envolvimento com a política do país, sendo ativo durante a campanha “Diretas Já”, que buscou, entre 1983 e 1984, convencer o então governo militar de João Figueiredo a implantar eleições diretas para a presidência do Brasil.
“O Magrão surgiu como uma liderança naturalmente. Foi ele quem ajudou a coordenar a Democracia Corinthiana na época. Os políticos faziam uma analogia: ‘Se um dos maiores clubes de massa do país pode, por que o Brasil não pode?’. A partir daí, a presença do Sócrates passou a levar cada vez mais as pessoas a se familiarizar com a causa”, conta o amigo Fernando Kaxassa, de 53 anos, produtor cultural e atual presidente do Cineclube Caium.


Democracia corinthiana
Envolvido tanto em assuntos relacionados ao bem-estar dos jogadores quanto aos temas do país, Sócrates foi um dos principais idealizadores da “Democracia Corinthiana” (com th), período entre os anos de 1982 e 1984 e que reivindicava mais liberdade para os jogadores e mais influência nas deliberações administrativas do clube.

“Tudo era levado a voto e todos votavam: diretoria, jogadores, funcionários tinham a mesma importância. Até as regras de concentração dos atletas eram resolvidas assim. Ninguém no clube era maior do que ninguém. Todos eram iguais”, comentou Kaxassa.

Frase marcante

O produtor cultural também lembrou-se de uma frase de Sócrates que marcou a época das grandes manifestações pelas eleições diretas para Presidente da República. “Ele já estava negociando sua ida para a Itália [Fiorentina, onde atuou por uma temporada] e disse: ‘Se o Congresso aprovar as eleições diretas, eu não saio do país’. Foi simbólico, mas infelizmente o que aconteceu foi exatamente o contrário”, relembrou Kaxassa.

'Fazia acontecer'
Em 2009, durante evento em São Bernardo do Campo com a presença de Sócrates e Kaxassa, o ex-Presidente Lula, confidenciou ao último que a campanha que clamava por eleições jamais teria o mesmo peso não fosse a atuação do ex-meia da Seleção Brasileira. “O Lula me disse que o Dr. Sócrates fazia tudo acontecer. No país do futebol, o líder de um time como Corinthians era uma espécie de imã e tinha poder de conscientização”, explicou.

Magrão na mira do Deops
A representatividade do ex-atleta, falecido no dia 4 de dezembro 2011, fez o Deops (Departamento Estadual de Ordem Política e Social de São Paulo), órgão estadual de repressão a movimentos contrários ao regime Militar, colocá-lo sob monitoramento constante no final da década de 80. O prontuário dizia que ele era potencial candidato à Prefeitura de Ribeirão Preto pelo PT.


‘Diretas Já’ na CBF
Três meses antes de falecer, ao sair do hospital onde ficou internado com hemorragia digestiva, Sócrates não esqueceu seu viés político e clamou: “É hora de nova ‘Diretas’. ‘Diretas Já’ para a presidência da CBF”.




sexta-feira, 14 de março de 2014

Pais e filhos

Bueno *

Faz alguns anos, eu estava em Camboriu (SC) e, depois de uma linda tarde, num delicioso bar à beira mar, ouvi pela primeira vez, com Renato Russo e banda, sua música “Pais e filhos”. Desliguei-me do papo dos amigos e me concentrei na letra, até viajei em tudo que ele cantava, senti até pena em alguma parte do que ele escreveu, me coloquei menino em seu lugar, principalmente quando diz “quero colo, vou fugir de casa. Posso dormir com vocês, estou com medo, tive um pesadelo, só vou voltar depois das três...”
Diz também que já morou em tantas casas que nem se lembra mais. “Eu moro com minha mãe, mas meu pai vem me visitar” Esta parte da letra é uma pancada no peito, é muito triste... Foi um dos maiores sucessos de Renato Russo, grande poeta e compositor, e essa música se identificava com muitos jovens de qualuer época.
Eu vejo hoje a situação de alguns amigos e suas histórias, suas relações com seus filhos, daí resolvi escrever esta crônica, começando com a canção de Renato Russo. Um destes amigos descobriu que seu filho, ainda adolescente, estava envolvido com drogas, na época maconha. É a porta de entrada para outros entorpecentes mais letais, e não adianta ninguém querer me convencer do contrário.
Quando via o filho deste amigo usando camisetas do Bob Marley com desenhos de folhas de maconha, até comentei com ele sobre o perigo. Disse que maconha é coisa fraca e que ele logo deixaria o vício. Temos organismos diferentes e não deu outra, se para ele maconha era droga fraca, seu filho também achava e partiu pra cocaína, depois crack e hoje, com mais de 30 anos, este jovem a quem me refiro já passou por dezenas de internações. Tudo isso depois de desestruturar a família, até o carro do pai roubou pra pagar dividas de seus vícios. Continuo vendo a luta de seus pais e torço para que ele se encontre.
Outro dia, lendo uma postagem no Facebook do meu afilhado Júlio Cesar, que é músico do Sambô (sucesso nacional), ele comentou que foi gravar com um amigo de São Paulo uma música sobre pai e ficou super-emocionado, daí contou que seu pai, Paulo Sérgio, faleceu quando ele tinha meses de idade. Júlio escreveu palavras tão carinhosas sobre seu querido pai, que em vida não pode acompanhá-lo, até parecia que o fato não acontecera de tão presente que seu pai ainda é em sua vida.
Júlio Cesar foi criado pela avó, pois a mamãe Conceição tinha que dar duro no batente. Conheci Júlio Cesar ainda menino, fiquei sabendo que ele era de Serrana, cidade vizinha de Ribeirão Preto, e que desde pequenino não escondia sua paixão pela música. Teve aulas de violão com o saudoso Zé da Conceição e de cavaquinho com Carlinhos Machado. Eu acompanhei de perto sua carreira, grandes artistas o queriam como músico, propostas mil para acompanhá-los, mas Deus sempre age e lhe preparou um futuro lindo, alguém o guiava, com certeza era seu velho pai, e o momento certo aconteceu com o Sambô. Como amo este menino, o tenho como filho, e pra mim será sempre um menino.
Quero agora falar de um amigo muito querido que teve vários casamentos, vários filhos, e entre eles um se envolveu com drogas e o mundo do crime, está sempre preso. Quando sai da cadeia, seu pai, que é bem relacionado na cidade, lhe consegue emprego, mas ele sempre pisa na bola, não tem jeito. Este meu amigo, dia desses, em lágrimas me confidenciou: “Buenão, veja como são as coisas, meu filho agora está preso perto de Bauru, mas de todos os filhos que tenho, ele é o único que me telefona e sempre me pede perdão, pede a minha benção, é o único que me fala ‘pai, eu te amo’.” Emocionado, o abracei carinhosamente... E quantas histórias como estas tenho pra contar, quantas...


* Cantor e compositor

sábado, 8 de março de 2014

Come-Fogo: naquele tempo...

Bueno *
buenocantor@terra.com.br
www.buenocantor.blogspot.com

É durante a minha caminhada matinal de cinco quilômetros que me surgem as ideias, às vezes mirabolantes. Hoje, quando estava na altura da avenida Nove de Julho, viajando na maionese, meus “bichinhos de criação” começaram a martelar minha cuca: “Buenão, porque você não escreve sobre personagens dos antigos clássicos Come-Fogo?” “Genial”, pensei, e pimba!!! Começaram a surgir na minha mente velhas figuras de nossa Ribeirão Preto.
Estava até imaginando como começar quando, passando pela padaria Nosso Pão, ali na rua Sete de setembro, vi conver­sando com Geraldo, o proprietário corintiano, meus amigos Marinho Sampaio, o vice-prefeito, e Ney, seu fiel escudeiro. Parei para um papo rápido, e contei a Marinho sobre esta crônica. Ney é muito novo e não se lembra, mas eu e Marinho voltamos a um passado de grandes personagens que enriqueciam a cidade e valorizavam qualquer jogo da dupla Come-Fogo.
Lembramos de Salim, comercialino de chorar nas vitórias e nas derrotas, ele tinha um bar na rua Tibiriçá, entre a General Osório e a  São Sebastião, e lá frequentavam as duas torcidas numa boa, num tempo em que a maldade passava longe. Despedi-me de Marinho e Ney e segui na caminhada. Minha cabeça continuava seu processo de criação e quando cheguei em casa só tive o trabalho de colocar as lembranças no papel.
Numa época em que o rádio AM reinava absoluto, e que para nossos talentosos jornalistas eram oferecidos contratos de se tirar o chapéu, tinha um programa que era líder de audiência, o “Balanga Beiço”. Ele era comandado pelos radialistas Tiri­rica e Corauci Neto, que satirizavam as noticias policiais. 
Lembro-me de que a população tinha mais medo de sair no “Balanga Beiço” do que da própria policia. O slogan do programa era “não entre em litígio com a policia para não virar noticia”. Ninguém queria ser estrela daquele noticiário porque a gozação durava semanas, era um verdadeiro show de rádio. O negócio fervia quando se aproximava a semana de Come-Fogo, tudo porque Tiririca era botafoguense e Corauci, comer­cialino.
Em todos os dérbis eles apostavam alguma coisa, lembrei-me de uma aposta em que quem perdesse teria que dar um mergulho nas poluídas águas do Retiro Saudoso, o córrego que divide a avenida Francisco Junqueira. A rádio PRA-7, hoje Clube, ficava ali na avenida. no cruzamento com a rua Barão do Amazonas. Como o tempo é inimigo da memória, não consegui me lembrar quem saiu lambuzado nesta aposta, mas sei que a avenida parou de tanta gente que queria ver o tal mergulho... Velhos tempos, belos dias.
Lembrei-me de quando apelidaram o Botafogo de “Chulé” e que comercialinos passavam ao lado do campo, ali na Vila Tibério, antigo Luiz Pereira, e jogavam sapatos velhos sobre o muro. Haja calçados. Daí botafoguenses que não queriam ficar pra trás apelidaram o Leão de “Penico”... E lá iam penicos pra dentro do antigo Costa Coelho.
Lembrei-me de um botafoguense histórico,“Pidão”, que levava pra arquibancada do Estádio Santa Cruz uma ensurdecedora buzina tocada a bateria. Quando saía alguma briga, ele estava sempre no “front” com seus quase dois metros de altura, um baita corpão, seu braço tinha a grossura da minha perna... Cada braçada dele mandava um monte pro chão. “Pidão” brigava bem e, num jogo contra o América, lá em São José do Rio Preto, o pau quebrou feio.
Estava ouvindo a Rádio 79, com Marcio Bernardes matando a pau na audiência. Vendo aquela muvuca toda, o radialista pegou o microfone e tranquilizou as famílias dos torcedores bota­foguenses dizendo que “Pidão” estava no meio dando pancada pra todo lado, até que a torcida contrária deu no pé. Histórias temos aos montes. Velhos clássicos Come-Fogo... Que saudade.

* Cantor e compositor

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Amigos comemoram aniversário de Sócrates

Amigos comemoram aniversário de Sócrates

'Quero morrer num domingo e com o Corinthians campeão', pediu Sócrates. E a vida o atendeu

23/02/2014 - 17:25
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Milena Aurea / A Cidade
O cantor e compositor Bueno, parceiro de Sócrates, canta no dia do aniversário do doutor, quarta-feira passada, na mesa de um bar de Ribeirão (Foto: Milena Aurea / A Cidade)
A falta que Sócrates faz provocou até um corte drástico na turnê nacional de Chico Buarque, este ano. Para evitar o vácuo da ausência do Magrão, grande parceiro de peladas e papos, Chico simplesmente tirou Ribeirão Preto da lista.
Chico não é o único que sente saudades. Na quarta-feira, 19 de fevereiro, três amigos, um deles dedilhando o violão, estão sentados em torno de uma mesa de bar, no Centro de Ribeirão. Comemoram, in memorian, o aniversário de Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira, que completaria 60 anos de idade.
Falecido em 4 de dezembro de 2011, Sócrates está presente em forma de fotografia, que estampa seu rosto ainda jovem, nos tempos em que era ídolo da torcida do Corinthians, no início da década de 80. A mesa é uma homenagem ao ex-jogador, que costumava sentar-se ali. Até a toalha tem o distintivo do Corinthians. A mesa dedicada ao Doutor, no bar Brasília, nunca está vazia.
Quem dedilha o violão é Roberto Sebastião Bueno, o Bueno, 66 anos, policial rodoviário aposentado, músico e parceiro de Sócrates em várias composições transformadas em CD.
Alfredo Monteiro de Castro Neto, o Frê, costumava jogar xadrez com Magrão. O outro é Emerson Egito, colega dos tempos de Marista. Entre eles, uma certeza rigorosa: se vivo, Magrão iria fazer uma grande festa. Convidaria Lula, Chico Buarque, Paulo César Pereio, o cronista Xico Sá, Wladimir, Juca Kfoury, Mazinho Chubaci Neto e dezenas de amigos. Menos o ex-goleiro Leão, que combatia a Democracia Corinthiana. “O Leão jogava muito, mas nosso genoma não bate”, brincava.
Como Sócrates não está entre nós, Bueno trata o caso à sua moda. “Tem gente que vem ao mundo, dá o seu recado encantador, breve, e vai embora. Com Sócrates foi assim”, disse.
Uma cerveja é aberta e, em brinde, oferecida ao Doutor.
Inesquecível para torcedores do Botafogo, Corinthians e imortalizado como capitão da seleção brasileira em duas Copas, Sócrates morreu aos 57 anos. Foi enterrado no cemitério Bom Pastor, às 17h, no mesmo dia em que o Corinthians sagrou-se campeão brasileiro.
Com a morte de Sócrates, Ribeirão Preto perdeu também seu grande embaixador. Cantores, músicos, escritores, jornalistas, atores e atrizes que passavam por aqui, faziam questão de convidá-lo para um chope no Pinguim. Convite que ele aceitava com grande prazer.
Um especial de uma hora sobre o craque, na TV, mostrou, no mesmo dia de seu aniversário, que o Corinthians foi o solo onde “plantou sua utopia”. Ali, no contato com a bola, “fez discursos, escreveu poesias, músicas e manteve o seu sonho sempre vivo”. A frase é de Gustavo, filho do craque. Merece crédito.

Lembrando Reginaldo Rossi

Bueno *
buenocantor@terra.com.br
www.buenocantor.blogspot.com

Reginaldo Rossi nos deixou. Rolando Boldrin costuma dizer: “viajou antes do combinado”. Reginaldo partiu, mas deixou uma obra que poucos artistas brasileiros carregam na bagagem. Ele é meu contemporâneo, surgiu no Nordeste e com a febre da beatlemania formou um conjunto musical, assim como nós aqui da região Sudeste – nessa onda eu também embarquei.
Reginaldo conseguiu romper a barreira que musicalmente se­para sua região da nossa com a composição “O pão”, invadindo a área da Jovem Guarda comandada por Roberto Carlos, Erasmo e Vanderlea e que era a coqueluche do momento na área musical. Sua música até virou gíria por aqui, tanto que quando as garotas queriam se referir a algum rapaz boa pinta, logo diziam: “Ele é um pão”.
Já conhecido nacionalmente, engatou outros sucessos como “Mon amour, meu bem, ma famme” e “A raposa e as uvas”. Reginaldo, que diziam ser brega, falava outras línguas, estudou arquitetura e optou por cantar e compor musicas do gênero romântico jovem. E se deu bem. Na música “Mon amour, meu bem, ma famme” ele descreve o veneno e a beleza de uma mulher de corpo pequeno por ele desejada, e até diz “sou metade sem você”.
Na dançante “A raposa e as uvas”, ele nos remete a uma época deliciosa da minha mocidade, quando, aos domingos de tardezinha, organizávamos brincadeiras dançantes na casa de amigos e não precisávamos de muita coisa, não, bastava apenas uma vitrola ou toca-discos e alguns “LPs” que o evento estava garantido, todos colaboravam com alguns trocados e logo surgia um tal de ponche e também cuba libre, que nada mais era do que misturar coca-cola com rum. Ninguém ficava de fogo, apenas dava um ingênuo colorido em quem provava.
O que vivíamos por aqui o grande Reginaldo Rossi escreveu nessa letra, num tempo em que quem tinha uma lambreta era considerado o rei da cocada preta. Também diz que, no fim da festa, ia levar a garota em sua lambreta e no seu portão seu beijo roubar, mas de olho esperto pois o pai da donzela poderia aparecer.
Seu maior sucesso foi “Garçom”. Digo maior porque esta música teve muitas regravações e quando ela estourou, logo a decorei. Num sábado, estávamos eu, Sócrates, seus irmãos, filhos e amigos no Pirajá Bar, em São Paulo, tocando violão e cantando na parte externa. Era um lugar muito chique, daí Sócrates disse: “Buenão, cante “Garçom”. Eu retruquei dizendo que esta música naquele bar não ia pegar bem, ele insistiu então soltei o gogó. Foi um silêncio só no bar, e quando entrei na segunda parte, em que a letra diz “saiba que meu grande amor hoje vai se casar...” Pra nossa surpresa, o bar inteiro cantou junto, e quando acabamos foi uma loucura. Naquela noite cantamos “Garçom” umas dez vezes, e a equipe de garçons ficou nos paparicando a noite toda.
Há alguns anos, Sócrates ficou sabendo que Reginaldo Rossi faria um show na Festa do Peão de Barretos e resolveu prestigiá-lo, chegando na cidade no período da tarde junto com Mazinho e amigos. Como sempre, sua presença virou uma grande festa que continuou à noite no camarote. Quando Reginaldo estava cantando, disseram a ele que Sócrates estava presente, o velho cantor ficou louco e passou a convidá-lo para cantar com ele. Magrão topou a parada, pulou alguns cercados e os dois ídolos se abraçaram com carinho.
Reginaldo perguntou qual música dele o Doutor sabia e a resposta foi “A raposa e as uvas”. Mal acabou de falar e a banda atacou na introdução. Ambos começaram a cantar, só que, naquela altura do campeonato, o Doutor pouco se lembrava da letra... No final, o aplauso foi geral. Mazinho diz que foi uma bela noite.

* Cantor e compositor

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Netos, por que crescem???


Bueno *

Já me fiz esta pergunta centenas de vezes: netos, por que crescem??? Fui avô pela primeira vez com 48 anos, não tinha ainda a manha dessa relação neto e avô como tenho hoje, aos 66. Escrevo esta crônica justamente no dia em que meu neto mais velho, Luiz Roberto, faz 18 anos. Pra ele já fiz três músicas: “Gente Nova” e “Jovem Guerreiro”, estas duas em parceria com Sócrates, e a última, “Lamentos do vovô”, que compus quando ele fez 12 anos e começou a sair com seus amiguinhos da escola, descobrindo os prazeres de um certo desligamento do cordão umbilical.
Pouco antes já estava sentindo sua ausência, isso cada vez mais frequente, daí me lembrava do seu tempo de pequeno, época em que ficava muito comigo, pois seu pai trabalhava demais. Minha casa tinha um alpendre grande e dele fazíamos nosso campo de futebol, ele adorava bancar o goleiro, até lhe ensinei a bater falta de três dedos. Com garrafas pet cheias d’água, fazíamos nossa barreira e ele quase sempre as derrubava com chutões.
Em meu sofá, povoava sua cabecinha aguçando sua fértil curiosidade com histórias por mim contadas, histórias vividas do meu tempo de guarda rodoviário, e que ele sempre me pedia para repetir. Quando sem querer omitia algum detalhe, ele logo me corrigia: “Vovô, você esqueceu-se de tal parte...”
Foi justamente lembrando dessa fase e do vazio que ele aos poucos deixou que compus a terceira música, “Lamentos do vovô”, cuja letra escrevo aqui: “Já não brinca mais comigo, nem corre mais no meu quintal, o tempo não foi meu amigo e te levou, passou como um vendaval... Ah!! Mas que egoísta eu sou, querer você sempre criança, tempo de sonho de um passado que vivi, restou apenas lindas lembranças... Das histórias que teus sonhos povoei, hoje não acredita mais, os heróis que pra você eu inventei, morreram todos, restam meus ais... Vou estar sempre por perto, sempre a proteger você, cada degrau que na vida conquistar, olhe do lado você vai me ver, e quando tiver colhendo os frutos de tudo que você conquistou, nunca se esqueça que sempre estará aqui, todo orgulhoso este seu vovô.”
O tempo não para, já dizia Cazuza, e hoje Luiz Roberto faz 18 anos. Como todo adolescente, já passou daquela fase de que pensa que sabe tudo... agora tem certeza! Isso provoca algumas divergências entre pai e filho e acho até normal, a vida vai nos lapidando à sua maneira. Meu filho Paulo Bueno o teve muito cedo, com apenas 20 anos. Luiz Roberto foi um quase que irmão mais novo dele, Paulo trabalhava numa empresa multinacional e ela o consumia muito, era muita pressão, com menos de 30 anos sua cabeça ostentava muitos fios de cabelos brancos, ganhou também como brinde uma sinusite crônica, pois ele era obrigado a entrar todos os dias numa câmara fria para conferir produtos, o choque térmico era inevitável.
Quando Luiz Roberto estava em idade escolar, prometi lhe dar um Chevette quando completasse 18, promessa que tudo farei para cumprir. Como todo vovô, só quero seu bem, sonho vê-lo formado, é um ótimo neto, não bebe e não fuma, mas tem este vício que assola o mundo, este pequeno aparelho manual que sempre muda de nome: celular, iPhone e outras modernidades que atrapalham o delicioso bate-papo.
E como o tempo passa... Meu segundo neto, Kauã, fez quatro anos em novembro, já passou sua fase de bebê, o vejo agora um molequinho. Ainda troca algumas letras como o “erre” pelo “ele”. Kauã é meu grande parceiro, só que com uma energia que vou te contar. Hoje estou com 66 anos, não tenho mais aquele pique e ele não quer perder um segundo de seu tempo. Outro dia ele ouviu nossa conversa a respeito do Chevette de seu irmão, daí falou: “Vovô, quando eu ‘clesce’ não ‘quelo’ um ‘sevette’, não. ‘Quelo’ um ‘Camalo Amalelo’... Ah, meu Deus! Por que netos crescem???


* Cantor e compositor

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Os 24 lugares mais espetaculares abandonou o mundo

Você consegue imaginar um mundo sem seres humanos? Aqui você terá uma idéia.

1. Pripyat, Ucrânia

2,5

Barry Mangham / Pixog

boredpanda.com
Pripyat, uma cidade de cerca de 50.000 pessoas, teve que ser completamente abandonada após o desastre de Chernobyl, em 1986. Devido à radiação, foi deixado intocado desde aquela época e terá de ser assim durante milhares de anos.Natureza agora governa a cidade.

Dois. Mirny Diamond Mine. Sibéria, Rússia.

6.2

imgur.com
O segundo maior buraco feito pelo homem, Mirny era uma cidade projetada no governo de Stalin para atender a demanda de diamantes industriais. Tudo foi arquivado quando se tornou muito difícil continuar com a construção do poço.atlasobscura.com

Três. Ryugyong Hotel. Pyongyang, a Coreia do Norte.

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wikipedia.org

Abril. UFO Casas Sanzhi. San Zhi, Taiwan.


picc.it

Maio. Six Flags Jazzland. New Orleans, EUA.

5.4

lovethesepics.com
6flags_parks

mnn.com

6. As Viagens de Gulliver Parque. Kawaguchi, Japan.

8.3

Antigo Creeper

7. Castelo de Bannerman. Pollepel Island, Nova Iorque.

11.3

snackish.com

8. Farol nas rochas de Aniva. Sakhalinskaya, Rússia.

Aniva-rock

michaeljohngrist.com /

Trem 9.Estación Jaca. Espanha.

12,3

blogspot.com

10. Chateu Miranda. Celles, Bélgica.

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imgur.com

11. Usina de carvão abandonada. França.

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Martin Vaissie

12. Eilean Donan. Loch Duich, Escócia.

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 Localizado nas Terras Altas da Escócia, ilha de Eilean Donan foi abandonada até 1911, quando foi restaurado por um proeminente oficial militar aposentado.  wikipedia.org

13. Hashima Island. Japão.

hashima-fora

tumblr.com
hashima

 totallycoolpix.com
No passado, a ilha de Hashima foi rica em carvão, mais de 5.000 mineiros que vivem lá. Quando o petróleo substituiu o carvão como fonte primária de combustível, a ilha foi abandonada.

14. Moinho abandonado. West of Quebec, no Canadá.

Millpark

Dan Brien

15. Estação Prefeitura. Nova Iorque, EUA.

19,1

imgur.com
 Station em Nova York Hall foi construído em 1904 e fechada em 1945 porque só o 600 I usado diariamente. huffingtonpost.com

16. Orpheum Theater. New Bedford, Massachusetts, EUA.

20,1

boredpanda.com

17. Abandonado usina. Bélgica.

poder

linkandshare.altervista.org

18. Naufrágio da América SS. Fuerteventura, nas Ilhas Canárias, Espanha.


Pedro Lopez Batista

 19. Sunken City. Shicheng, China.

27,1

china.org.cn
Shicheng foi debaixo de água desde 1959 a partir da implantação da usina hidrelétrica do rio Xin. A cidade foi fundada há 1300 anos. wherecoolthingshappen.com

20. Fortes Mar Vermelho Sands. Sealand. Reino Unido.

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flickr.com

21. Estação Central de Michigan. Detroit, EUA.

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Jean-Pierre Lavoie, photojpl.com
30,1

boredpanda.com

 22. Fábrica abandonada foguete. Rússia.

36,1

imgur.com

23. Hotel El Salto. Colômbia.

37,1

today.it
O El Salto foi construído em 1928, devido à grande atração turística Salto del Tequendama. Eventualmente água caindo ficou contaminada e os visitantes perderam o interesse.

24. Cristo do Abismo. San Fruttuoso, Itália.


lensart.ru